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À FORÇA
Fazia tempo que eu não via armação tão descarada no futebol brasileiro: a força extra-campo que os cariocas (entenda-se Flamengo e flamenguistas) estão fazendo para impedir o tetracampeonato brasileiro do meu SPFC é vergonhosa. Mas não vão conseguir: até fora de campo somos melhores do que eles...
Escrito por Paula Malfitanni às 17h39
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SOLUÇÃO DO ASSUNTO KAFKIANO.
Sem mais saber o que fazer recorri ao Procon que encaminhou-me ao Juizado Especial Cível, mais conhecido por "tribunal de pquenas causas". Sei lá o que o juiz fez, com quem falou, o que mandou fazer. Só sei que dois dias depois d´eu ter deixado os papéis no JEC ligaram a energia. Queria ser uma mosca para saber o que "rolou".
Escrito por Paula Malfitanni às 21h25
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GERALD THOMAS
Gerald Thomas diz que vai afastar-se do teatro, que há um esgotamento no palco, que seus últimos trabalhos foram ruins, sem consistência. Se não for uma declaração de auto-piedade ou mesmo um high-light para manter seu nome em evidência (Gerald é também muito bom na auto-promoção), louvo o desprendimento intelectual do criativo (ainda que amiúde hermético) criador/diretor de MatoGrosso um dos mais instigantes e expressivos espetáculos teatrais que já assisti (gostaria de saber qual foi, à época, a opinião da Bárbara Heliodora). Poucos são os artistas capazes de declarar publicamente momentos de “seca criativa”, de esgotamento produtivo. A maioria prefere seguir repetindo-se numa frágil e horrorosa diluição de obras que já manifestaram/portaram muita energia, de coisas que muito tiveram a expressar e que agora são secas, mudas. O único outro que me lembro foi o extraordinário Astor Piazzolla: durante uma apresentação em São Paulo (se não me falha a memória lá pelo início dos anos 80) parou de tocar e pediu desculpas ao público (eu estava lá) por estar esgotado, por estar repetindo-se. Felizmente recuperou-se e voltou a criar com muita qualidade. Quem sabe, torço, o mesmo será com o Thomas.
Escrito por Paula Malfitanni às 21h18
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GEISY UNIBAN
Que assunto mais complicado o dessa menina, a tal da Geisy que mistura (ou confunde) faculdade com balada... Li muitas manifestações; de psicólogos, educadores, dirigentes da “universidade”, de “alunos”, de advogados, de políticos – alguns progressistas, outros conservadores -, de jornalistas, da própria. Refleti à exaustão e não consegui formar opinião que considere resistente. Ainda bem que não era obrigação minha decidir o que fazer com o caso. Entretanto não deixaria de aconselhar-lhe uma dieta e algumas aulas de moda e estética, afinal, convenhamos, o modelito da moça, não importa para que ambiente, era pavoroso...
Escrito por Paula Malfitanni às 21h17
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E-MAIL PARA O JORNALISTA CLÓVIS ROSSI
O sr. termina sua crônica de título Os Cacos de Uma Cidade, publicada na FSP no último dia 29 de Outubro, acerca da revitalização do centro velho da cidade, com a pergunta: “Há alguma maldição que habita São Paulo e faz com que a decadência se sobreponha a um mínimo de civilização?” Arrisco uma resposta: existe sim uma maldição; uma maldição que confunde processos de revitalização urbana com processos de desenvolvimento (eufemismo para negócio) imobiliário; com desapropriações, demolições, retraçado de vias e construção de novos edifícios. Essa maldição apenas será superada quando percebermos que não é assim que se recuperará o centro urbano paulistano; que se poderá fazê-lo sem o “auxílio” das empreiteiras e incorporadoras, sem o concurso de complexas e pouco transparentes operações urbanas; que se poderá conseguir a recuperação bastando para isso que o poder público (estado e município conforme suas atribuições) tome as seguintes providências: 1. Limpe e mantenha limpas e sem mal-cheiros as ruas do centro (principalmente “mantenha” porque a marginalidade adora produzir sujeira e sujeira afasta os não marginais). 2. Ilumine e mantenha bem iluminadas as mesmas ruas (a marginalidade tem horror a luz e os não marginais adoram ambientes urbanos vivamente iluminados). 3. Mantenha a segurança, na base p.ex. de duplas “Cosme e Damião” mais um cachorro, circulando nessas áreas 24 horas por dia (marginais detestam policiamento ostensivo e não marginais adoram andar a qualquer hora do dia ou da noite por ruas aonde ele seja evidente) 4. Incentive, via desconto no IPTU, a recuperação das calçadas em conformidade a determinado padrão (marginal anda em qualquer lugar; não marginais apreciam muito andar sobre pisos regulares) 5. Incentive, via generosos descontos no IPTU e taxas municipais, a recuperação de construções para uso residencial, inclusive residências unifamiliares e outros usos adequados à revitalização pretendida. 6. Incentive, via generosos descontos de IPTU, taxas municipais e principalmente ISS a implantação de atividades comerciais e de serviços considerados compatíveis com o uso residencial e com a revitalização que se deseja obter. 7. Recupere, reequipe e mantenha bem operacional o equipamento social público e mobiliário urbano existentes na região. 8. Onere significativamente via majoração do IPTU e impostos, as áreas vazias, construções em mau-estado, sem uso, com sub-ocupação ou uso e atividades consideradas incompatíveis com a revitalização desejada. Incentivo à relocação dessas atividades em outras regiões da cidade. Feito isso, em pouco tempo as pessoas sentir-se-ão estimuladas a morar e viver por ali; a iniciativa privada vai descobrir rapidinho que é melhor fazer negócios, mesmo sem outras vantagens, nesse centro limpo e incentivado. Revitalização e revalorização vem a reboque. Com um pouco mais de tempo a Prefeitura, mantida a qualidade dos serviços públicos, poderá retirar os incentivos (e até ao contrário incrementá-los pela requalificação produzida), pois todos que lá estão já saberão que nada é melhor do que viver com conforto no centro de uma grande metrópole. O processo de renovação se auto-alimentará do mesmo jeito que o de degradação também se auto-alimenta enquanto as operações urbanas mofam nos escaninhos do tempo, da burocracia e dos interesses inconfessáveis. Obviamente minha proposta não pretende e não resolve problemas sociais, mas operações urbanas complexas também não o fazem e esse assunto não é o foco da revitalização do centro velho da cidade.
Escrito por Paula Malfitanni às 12h28
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A VIDA IMITANDO A ARTE
Tenho me sentido como Joseph K. o personagem de O Processo. Explico. Mesmo não tendo certeza de que permanecerei aqui por Penedo muito tempo ainda, estou construindo uma pequena casa; coisa simples, um estúdio cercado de árvores num pequeno lote em rua com vários vizinhos. Obviamente pedi à concessionária uma ligação de energia. Passados dois meses a concessionária me pede uma certa “Certidão de Conformidade Ambiental”, sem a qual a ligação não poderia ser feita. Ok; requeri, obtive da Secretaria do Meio-Ambiente da Prefeitura o tal documento e entreguei-o à concessionária. Tudo certo? Não, o documento iria ser enviado para o Ministério Público Federal. Achando estranho, coube a pergunta: - Para quê? - Para que a promotora autorize a ligação. Achando absurda a resposta (desde quando cabe ao Ministério Público Federal autorizar ligações de energia?) fui ao Ministério Público. Expus a situação e fui informada que uma vez tendo recebido a tal Certidão a concessionária deveria fazer a ligação; que o Ministério Público nada tem a ver com isso, que apenas havia recomendado à concessionária pedi-lo aos interessados em ligações para não incentivar as contínuas infrações ao meio-ambiente e ao território conforme historicamente se verifica no Município. Voltei à concessionária e transmiti-lhes o que havia sido dito no Ministério Público. - Eles lhe deram isso por escrito? - Obviamente que não; se a Certidão foi fornecida não há irregularidade e o assunto não é da alçada do Ministério. - Sem autorização da promotora não podemos ligar. - E então, por que vocês não se entendem com o Ministério? - Não sei; é assunto administrativo. Voltei ao Ministério Público que disse-me nada poder fazer, sequer ligar à concessionária para uma coversa. Tornei à concessionária que o mesmo me disse: - Ligar para a Promotora? Não podemos. Ou seja, não cometi crime algum, ninguém sabe de nada, ninguém faz nada, as irregularidades continuam a acontecer e eu, cidadã “direitinha” não consigo a ligação que preciso. Kafkiano, não?
Escrito por Paula Malfitanni às 12h23
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FINANCIAMENTO PÚBLICO DE CAMPANHAS; PARA QUE?
Começa bem o trabalho de implantação da infra-estrutura necessária para a Copa do Mundo e Olimpíadas; começa com a licitação para a execução do trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro. Licitação sem sequer um mixuruca de um projeto básico; licitação apenas com preço base estimado sabe-se lá por quem (empreiteiras? Quais? Quais?) com ajustes de outros “quem” (do Instituto PT- engenharia de avaliações talvez?). A Associação Brasileira de Engenheiros de Túneis em rápida vista d´olhos já achou a primeira “amostra“ de sobre-avaliação de preços. Entenderam o “por que” do título deste “post”? O financiamento das campanhas já é público (com o nosso dinheiro privado), apenas tem a intermediação das empreiteiras... Se alguém tiver dúvida do que estou escrevendo que aguarde, para um futuro que não sei determinar mas sei que chegará, o escândalo do trem-bala, a CPI da Maria-Fumaça pós-moderna.
Escrito por Paula Malfitanni às 16h19
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BALAS PERDIDAS
Por que será que os populares de uma comunidade (comunidade: eufemismo para favela) carioca, quando algum deles é atingido por uma "bala perdida" sempre, de imediato, culpam os policiais pelo tiro? Em meio a bagunça que é um tiroteio nos morros porque, como, eles tem sempre essa certeza? Será paixão pelos bandidos?; uma versão favelada da Sindrome de Estocolmo ? Ódio da policia? Ou reinará algum tipo de "omertá" nas favelas? E por que os meios de comunicação sempre tão apressados em comunicar as mortes não informam, depois de concluídas as perícias, que fulano-de-tal morto no dia tal, no lugar qual (lembram-se?) o foi por disparo feito pela arma tal que pertencia ao policial cicrano-de-tal? Ou então, para dissipar suspeitas, que o projétil não foi disparado pela arma de nenhum policial?
Escrito por Paula Malfitanni às 17h56
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HOJE, DOIS ANOS...
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Escrito por Paula Malfitanni às 22h35
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HONDURAS II - ARQUITETURA
A única coisa boa dessa encrenca diplomática em que “nosso guia” colocou-nos é que o Palácio do Itamaraty tem aparecido muito nas TVs como “paisagem” nas reportagens sobre o assunto. Palácio do Itamaraty; deslumbrante para lá da imaginação, uma obra extraordinária. Se o Oscar em toda sua vida tivesse feito apenas e tão somente esse projeto, seu nome no panteão dos grandes arquitetos da história estaria garantido. PS: “filha” do Itamaraty, a sede da Editora Mondadori de Milão vai de lambuja nesse espetáculo de beleza e poesia arquitetônica que o gênio do Oscar nos proporciona.
Escrito por Paula Malfitanni às 22h27
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HONDURAS I - POLÍTICA
Mal assessorado pelo ocupante do Itamaraty e por seu assessor especial, o intelectualmente despreparado, culturalmente provinciano e soberbo (como a ele bem referiu-se Itamar Franco) Lula da Silva, desejoso de ampliar ao mundo seu cartaz local, caiu na armadilha que lhe preparam o general de opereta Chavez e o sr. Manuel Chapeleiro Zelaya. Agora está o Brasil, refém de um caudilho bananeiro, num beco sem saída; prontinho para ser acusado daquilo que sempre orgulhou-se de não fazer: de intrometer-se em assuntos internos de outros países; prontinho para ter seu prestígio de país equilibrado e mediador jogado no lixo. Tudo por conta da megalomania descabida de nosso deslumbrado (“this is the man”) presidente. Quero só ver como vamos sair dessa trapalhada...
Escrito por Paula Malfitanni às 22h24
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LIVRO BOM; LIVRO RUIM
Alguém dizia numa roda: - Tal livro é muito bom; não conseguia deixar de lê-lo. Li-o quase de uma “única tacada” do início ao final, final aliás muito interessante. Pois eu acho que assim, de uma “única tacada” se lê livro ruim, livro bobo, livro oportunista, livro sem conteúdo. Penso que livro bom é o que faz por ser lido lentamente, obrigando-nos a saborear cada trecho, cada pensamento, cada parágrafo, cada frase. Livro bom é o que nos faz voltar as páginas para relê-las, fazendo-o para prolongar o prazer que suas idéias e letras nos proporcionam, fazendo-o como que a empurrar para longe o final que não desejamos ver chegar. Livro bom é o livro que deveria ter infinitas páginas, mais ou menos como o sexo com quem se ama...
Escrito por Paula Malfitanni às 12h32
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"A VIDA COMO ELA É"
Muitos desejam meu corpo, sonham dormir a meu lado, beijar-me, e serem por mim beijados. Mas sempre, é claro, mesmo quando não dito claramente, expresso nas entrelinhas, entre quatro paredes, na intimidade, no ambiente de realização de suas fantasias eróticas. Não que eu não goste de sexo, até de sexo descompromissado, mas fica faltando algo: primeiro e principalmente um mínimo de afeto (amor nem ameaço mencionar), depois a conseqüência: assumir-me. Porém, se de alguns desses que tanto me desejam até posso imaginar ter algum afeto, que me assumam, bem; aí já é pedir demais de suas abjectas masculinidades, de suas egoísticas machezas, sejam solteiros, casados, pobres, ricos, altos, baixos, bonitos, feios, ignorantes, cultos, jovens ou velhos; afinal, como a sorte, a mediocridade não discrimina.
Escrito por Paula Malfitanni às 12h26
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ENERGIA INSUBORDINADA
Adoro a frase de Schoenberg em carta de resposta a empresário, insistente cliente berlinense, que apelava a sua energia criativa à composição e entrega de uma nova obra: “Infelizmente minha energia é um ser muito insubordinado, o que é o fundamento de sua própria existência. Ela é tão relutante em prestar favores que nem sequer permite que eu a convoque a minha presença. Ela vem ou não vem, e o faz a seu bel-prazer.”
Escrito por Paula Malfitanni às 12h24
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RIQUEZA; OURO DE TOLOS
Estamos então riquíssimos; temos uma incalculável fortuna em petróleo no fundo do mar. Mais ou menos do mesmo jeito que no final do século XIX e começo do XX tinhamos uma outra incalculável fortuna - que nos levaria ao paraíso - em meio a floresta amazônica. Deu no que deu. Há uma enorme euforia em vários ambientes, no governo, entre empresários e especuladores/aproveitadores de vários matizes: vamos novamente - como a classe operária do Elio Petri não foi - ao paraíso. Entretanto todos os especialistas dizem que essas riquezas só estarão plenamente disponíveis daqui, digamos - a previsão varia um pouco - uns 20 anos. É muito tempo, não acham? Tempo suficiente para muitas surpresas e há uma pergunta que não vejo ninguém fazer: Qual é a matriz - presente e futura - de utilização desse petróleo leve do pré-sal? Não vou detalhar, deixo para quem chegar a ler-me a reflexão, mas num mundo que busca a salvação ambiental, no qual combustíveis fósseis já iniciaram viver seu ocaso, a resposta a essa pergunta nos dará a medida real dessa nossa futura "incalculável riqueza". É bom lembrar que estamos chegando ao clube do petróleo com pouco mais de século de atraso e há a possibilidade - sem pessimismos, apenas com perspectiva histórica - dessa riqueza ser igual à da borracha: ouro de tolos.
Escrito por Paula Malfitanni às 21h59
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